Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/20.500.11960/4277
Title: Antecipação do processo de envelhecimento de adultos de meia-idade com incapacidades sensoriais
Authors: Faria, Carla Maria Gomes Marques de
Areia, Inês Abreu
Keywords: Envelhecimento
Meia-idade
Incapacidade
Gerontologia Social
Aging
Midlife
Inability
Social Gerontology
Issue Date: 15-Jul-2024
Abstract: Contexto e objetivo. O desenvolvimento humano é um processo complexo, dinâmico, multidirecional, multicausal e multidimensional, influenciado por mudanças biopsicossociais e por acontecimentos sociais e históricos (Neri, 2006). Esta conceção alicerça-se na perspetiva Life-span (Baltes, 1987), que assume o papel estruturante dos acontecimentos de vida no processo desenvolvimental. Assim, os acontecimentos de vida são fonte de mudança (positiva ou negativa) pelas influências múltiplas que exercem, podendo ser classificados como normativos, ontogénicos ou históricos e não-normativos, sendo o seu impacto diferenciado tendo em conta o período do ciclo de vida. De acordo com Lachman (2004), a meia-idade é um dos períodos mais longo do ciclo de vida, que se inicia por volta dos 40 anos e se estende até os 64 anos. Esta fase de vida pode ser caracterizada por crescimento e declínio, pela ligação entre a geração mais velha e a mais nova e por situar-se entre a juventude e a velhice. A meia-idade é associada a acontecimentos de vida normativos como a parentalidade, mudanças físicas e biológicas, no entanto a presença de uma incapacidade/doença é entendida como um acontecimento de vida não-normativo com um potencial muito significativo para desencadear mudanças nos vários domínios do desenvolvimento e funcionamento adulto, exigindo esforços acrescidos de adaptação específicos e complexos com reflexos muito relevantes para o envelhecimento. Godinho (2021) evidencia que o papel da pessoa com incapacidade ou limitação tem vindo a mudar. Se no passado a pessoa com incapacidade era vista como vítima da própria condição e, por consequência, alvo de vergonha familiar, “escondida” em instituições e excluída da sociedade, atualmente são educadas e capacitadas para a máxima independência e autonomia, no sentido de promover ao máximo a sua inclusão social. A incapacidade sensorial pode ser associada à restrição na participação social, aumentando o risco de isolamento, perda de qualidade de vida e bem-estar em qualquer período etário, mas em particular na velhice (Camargo et al., 2018; Vieira, 2017). Neste sentido, a presença de uma incapacidade ou limitação sensorial pode exercer influências múltiplas no desenvolvimento e envelhecimento individual, colocando estas pessoas em maior risco, particularmente na meia-idade, momento do ciclo de vida que antecede a entrada na velhice e encerra, provavelmente, a última oportunidade de proatividade face à fase da vida seguinte (Lachman et al., 2015). Neste contexto, o presente estudo tem como o objetivo compreender como adultos na meia-idade com incapacidades sensoriais vivem a meia-idade e antecipam o seu processo de envelhecimento. Método. Participaram no estudo 8 adultos com idades compreendidas entre os 35 e os 50 anos, que apresentam uma incapacidade sensorial, nomeadamente visual. A recolha de dados foi realizada através de entrevista semiestruturada, sendo o conteúdo analisado com recurso a procedimentos da análise dedutiva (Sampaio & Lycarião, 2021; Corbin & Strauss, 2015; Moura, Ramos, Simões, & Li, 2021). Resultados. Através da abordagem analítica dedutiva assente numa grelha de análise estabelecida com base na literatura no domínio, foram estabelecidos os seguintes domínios: (1) Crescimento e declínio na meia-idade, (2) Meia-idade como grupo que liga gerações e (3) Meia-idade como período de vida entre a juventude e a velhice. O primeiro domínio caracteriza a meia-idade como período desenvolvimental composto por ganhos, perdas e especificidades da incapacidade sensorial. Por sua vez, o segundo domínio caracteriza a posição central que a meia-idade ocupa no ciclo de vida e que, por isso, promove a ligação entre a geração mais nova e a geração mais velha com especificidades inerentes à incapacidade sensorial. Por fim, o terceiro domínio caracteriza a meia-idade como um período de vida crucial e distinto, que sucede a juventude e prepara a velhice no contexto da incapacidade sensorial. Conclusão. A meia-idade é um período desafiador, marcado por ganhos, perdas e gestão de papéis complexos e simultâneos. A presença de uma incapacidade sensorial parece complexificar a vivência dessa fase, limitando a participação e o envolvimento social. O trabalho, a parentalidade e o acesso a recursos também são dificultados pela presença desta condição, com fortes implicações para a capacidade adaptativa e a preparação da velhice. A adoção de políticas e práticas inclusivas é fundamental para apoiar os adultos de meia-idade com incapacidades sensoriais e potenciar processos promotores de envelhecimento bem-sucedido, sendo o papel do gerontólogo estruturante neste processo.
ABSTRACT Context and aim. Human development is a complex, dynamic, multidirectional, multicausal and multidimensional process, influenced by biopsychosocial changes and social and historical events (Neri, 2006). This conception is based on the Life-span perspective (Baltes, 1987), which assumes the structuring role of life events in the developmental process. Thus, life events are a source of change (positive or negative) due to the multiple influences they exert, and can be classified as normative, ontogenic or historical, (and non-normative, with their impact being differentiated taking into account the period of the life cycle). According to Lachman (2004), middle age is one of the longest periods of the life cycle, which begins around age 40 and lasts until age 64. This phase of life can be characterized by growth. and decline, due to the connection between the oldest generation and the nine and because it is located between youth and old age. Middle age is associated with normative life events such as parenthood, physical and biological changes, however the presence. of a disability/illness is understood as a non-normative life event with a very significant potential to trigger changes in the various domains of adult development and functioning, requiring increased specific and complex adaptation efforts with very relevant consequences for aging. Godinho (2021) shows that the role of people with disabilities or limitations has been changing. If in the past people with disabilities were seen as victims of their own condition and, consequently, the target of family shame, “hidden” in institutions and excluded from society, today they are educated and trained for maximum independence and autonomy, in order to promote maximum social inclusion. Sensory disability can be associated with restrictions in social participation, increasing the risk of isolation, loss of quality of life and well-being at any age, but particularly in old age (Camargo et al., 2018; Vieira, 2017). In this sense, the presence of a disability or sensory limitation can exert multiple influences on individual development and aging, placing these people at greater risk, particularly in middle age, the moment in the life cycle that precedes the entry into old age and probably ends with the last opportunity for proactivity in the face of the next phase of life (Lachman et al, 2015). In this context, the present study aims to understand how middle-aged adults with sensory disabilities experience this period of life and anticipate their aging process. Method. The study included 8 adults aged between 35 and 50, who have sensory impairment, particularly visual impairment. Data collection was carried out through semi-structured interviews, with the content analyzed using deductive analysis procedures (Sampaio & Lycarião, 2021; Corbin & Strauss, 2015; Moura, Ramos, Simões, & Li, 2021). Results. Through a deductive analytical approach based on an analysis grid established based on literature in the field, the following domains were established: (1) Growth and decline in middle age, (2) Middle age as a group that connects generations and (3) Middle age age as the period of life between youth and old age. The first domain characterizes middle age as a developmental period composed of gains, losses and specificities of sensory disability. In turn, the second domain characterizes the central position that middle age occupies in the life cycle and which, therefore, promotes the connection between the younger generation and the older generation with specificities inherent to sensory disability. Finally, the third domain characterizes middle age as a crucial and distinct period of life, which follows youth and precedes and prepares old age in the context of sensory disability. Conclusion. Midlife is a challenging period, marked by gains, losses and the management of complex and simultaneous roles. The presence of a sensory disability seems to complicate the experience of this phase, limiting participation and social involvement. Work, parenting and access to resources are also made difficult by the presence of this condition, with strong implications for adaptive capacity and preparation for old age. The adoption of inclusive policies and practices is essential to support middle-aged adults with sensory disabilities and enhance processes that promote successful aging, with the gerontologist's role being structuring in this process.
Description: Dissertação de Mestrado em Gerontologia Social apresentada na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo
URI: http://hdl.handle.net/20.500.11960/4277
Appears in Collections:ESE - Dissertações de mestrado

Files in This Item:
File Description SizeFormat 
Ines_Areia.pdf704.21 kBAdobe PDFView/Open


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.