Utilize este identificador para referenciar este registo:
http://hdl.handle.net/20.500.11960/4276| Título: | Vinculação e bem-estar : um estudo com adultos de meia-idade em double e triple caregiving |
| Autores: | Faria, Carla Maria Gomes Marques de Dias, Sónia Manuela Mendes Esteves, Luísa Gomes |
| Palavras-chave: | Vinculação Bem-estar psicológico Meia-Idade Double e triple caregiving Gerontologia Social Attachment Psychological well-being Middle age Double and triple caregiving Social Gerontology |
| Data: | 24-Jul-2024 |
| Resumo: | Contexto e objetivos. A meia-idade constitui o período da vida adulta mais extenso e, simultaneamente, aquele acerca do qual menos se conhece (Lachman, 2004; 2015). Globalmente, a meia-idade tem sido definida como o período de vida que se situa entre a juventude e a velhice e acerca do qual existe um conjunto de ideias preconcebidas e enviesadas, como é o caso da “crise da meia-idade” ou a “síndrome do ninho vazio” (Lachman, 2015). Recentemente tem-se assistido ao reconhecimento da necessidade de avançar com estudos sobre a meia-idade, nomeadamente no que se refere às especificidades desenvolvimentais deste período de vida. A literatura no domínio tem vindo a sugerir que o cuidar e a conciliação de diferentes papéis de vida, expresso na simultaneidade de papéis, poderão constituir aspetos específicos e distintivos da meia-idade. No que se refere aos cuidados, os adultos da meia-idade, especialmente mulheres, constituem o grupo sobre o qual recai a maior/principal responsabilidade. No entanto, as pessoas que assumem os papéis de cuidadores formais e cuidadores informais representam um grupo quase desconhecido da investigação (DePasquale et al., 2016). Estudos prévios sugerem que não só os adultos de meia-idade têm um impacto no bem-estar daqueles de quem cuidam, mas também que o seu próprio bem-estar é afetado pelas circunstâncias que os rodeiam (Lachman, 2015; Polenick et al., 2016). Recentemente, identificou-se um grupo específico de adultos de meia-idade que reúne potencial interesse por condensar simultaneamente a condição de cuidador formal (profissional que assegura cuidados) e de cuidador informal (pessoa que assegura cuidados informais a familiares), designados por double ou triple caregivers. Assim, os adultos que desempenham o papel de cuidadores formais e cuidam de um familiar, pais ou filhos, são designados de double caregivers. Já as pessoas que desempenham o papel de cuidador formal e cuidam de filhos e pais idosos simultaneamente, são designados de triple caregivers. A evidência (ainda escassa) disponível sugere diferenças em termos de níveis de stress vivido, níveis de bem-estar e indicadores de saúde física e mental (ex., DePasquale et a.l, 2016; DePasquale et al., 2017; DePasquale et al., 2018; Hodgdon & Wong, 2021). Neste contexto, o bem-estar tem sido apontado como um dos principais indicadores da qualidade desenvolvimental, constituindo uma área investigação crescente (Ryff, 2017). O bem-estar está associado a dimensões do self como Aceitação de si, Relações positivas com os outros, Autonomia, Domínio do meio, Propósito de vida e Crescimento pessoal (Ryff, 1995). Globalmente, estudos evidenciam que certos aspetos do bem-estar tendem a diminuir com idade, no entanto os resultados da investigação não são claros quanto ao que se passa na meia-idade. Se por um lado é possível encontrar estudos que apontam para níveis reduzidos de bem-estar neste período de vida, por outro encontramos evidências que apontam para ganhos no bem-estar (Lachman, et al.,2008; Ryff, 2017; Lachman, 2015; Stone et al., 2010; Ulloa et al., 2013). Paralelamente, a qualidade da vinculação tem sido apontada como relevante para o bem-estar em períodos de vida prévios, sendo que a vinculação segura está associada a maior bem-estar enquanto vinculação insegura a menor bem-estar (ex., Karreman et al., 2012; Quevedo et al., 2019; Davis et al., 2016). Face ao exposto, o presente estudo tem como objetivos: (1) avaliar os níveis de bem-estar e o estilo de vinculação em adultos de meia-idade em condição de double e triple caregiving; e (2) analisar a relação entre o estilo de vinculação e bem-estar em adultos de meia-idade em double ou triple caregiving.
Método. No estudo, transversal e correlacional, participam 222 adultos entre os 40-60 anos de idade em condição de double ou triple caregiving. Como critérios de inclusão definiu-se: (1) idade entre os 40 e os 60 anos de idade; (2) assegurar cuidados informais a descendentes (filhos) e/ou ascendentes (pais ou outros familiares idosos); (3) exercer profissão na área dos cuidados formais (área da Saúde ou Social). Os dados foram recolhidos com recurso a Questionário Sociodemográfico; Escala de Bem-Estar Psicológico (EBEP, Ryff, 1989; versão portuguesa de Novo, Duarte-Silva & Peralta, 1997); e Medida Categorial do Estilo de Vinculação (Hazan & Shaver, 1990; versão portuguesa de Fonseca & Soares, 2005). O protocolo de recolha de dados foi disponibilizado (entre maio e outubro de 2023) em formato digital e divulgado em vários contextos de vida de adultos de meia-idade.
Resultados. Os participantes têm em média 46,59 anos (dp=5,56), são maioritariamente do género feminino (88,30%), casados (74,30%), com ensino superior (73%), exercem atividade profissional em instituições particulares de solidariedade social (48%), com 17,77 anos (dp=8,76) de experiência profissional. A maioria dos participantes apresenta vinculação segura (78,40%), não tendo sido encontradas diferenças estatisticamente significativas ao nível do estilo de vinculação entre os double e triple caregivers. No que se refere ao bem-estar psicológico, os participantes em condição de triple caregiving apresentam valores médios superiores de bem-estar psicológico total (M=84,37; dp=13,25) e nas suas dimensões comparativamente com os participantes em condição de double caregiving, contudo não se observaram diferenças estatisticamente significativas. Por último, no que diz respeito à relação entre vinculação e bem-estar psicológico, verificaram-se diferenças estatisticamente significativas no bem-estar psicológico total (U=2617,50; p= <0,001), e em todas as suas dimensões à exceção da Autonomia (U=3734; p=0,259). Globalmente, os participantes com vinculação segura apresentam valores estatisticamente superiores no bem-estar psicológico total e em todas as suas dimensões comparativamente aos participantes com vinculação insegura.
Conclusão. O presente estudo é pioneiro ao investigar um grupo recentemente identificado de adultos de meia-idade em condição de double e triple caregiving, que desempenham um papel nuclear na prestação de cuidados formais e informais e do qual ainda muito pouco se conhece. Os resultados obtidos evidenciam a relevância da relação entre as duas variáveis em estudo, o bem-estar psicológico e a vinculação. Parece-nos fundamental dar continuidade a este estudo de modo a aprofundar e reforçar a investigação no domínio e assim contribuir para o conhecimento gerontológico de forma a sustentar intervenções que promovam para o desenvolvimento e o envelhecimento bem-sucedido dos adultos de meia-idade. ABSTRACT Context and aims. Middle age is the longest period of adult life and, at the same time, the one about which the least is known (Lachman, 2004; 2015). Globally, middle age has been defined as the period of life between youth and old age and about which there are a few preconceived and biased ideas, such as the "midlife crisis" or the "empty nest syndrome" (Lachman, 2015). Recently, there has been recognition of the need to advance studies on middle age, particularly about the developmental specificities of this period of life. The literature in this field has suggested that caregiving and the reconciliation of different life roles, expressed in the simultaneity of roles, may be specific and distinctive aspects of middle age. When it comes to care, middle-aged adults, especially women, are the group with the greatest/main responsibility. However, the people who take on the roles of formal and informal caregivers represent an understudied group (DePasquale et al., 2016). Previous studies suggest that not only do middle-aged adults have an impact on the well-being of those they care for, but also that their own well-being is affected by the circumstances around them (Lachman, 2015; Polenick et al., 2016). Recently, a specific group of middle-aged adults has been identified who are of potential interest because they combine the status of formal caregiver (professional caregiver) and informal caregiver (person who provides informal care for family members), known as double or triple caregivers. Thus, adults who play the role of formal caregivers and care for a family member, parents or children are called double caregivers. People who play the role of formal caregiver and care for children and elderly parents at the same time are called triple caregivers. The (still scarce) available evidence suggests differences in terms of levels of stress experienced, levels of well-being and indicators of physical and mental health (e.g. DePasquale et a.l, 2016; DePasquale et al., 2017; DePasquale et al., 2018; Hodgdon & Wong, 2021). In this context, well-being has been identified as one of the main indicators of developmental quality and is a growing area of research (Ryff, 2017). Well-being is associated with dimensions of the self-such as Self-acceptance, Positive relationships with others, Autonomy, Environmental mastery, Purpose in life and Personal growth (Ryff, 1995). Overall, studies show that certain aspects of well-being tend to decline with age, but research results are unclear as to what happens in middle age. On the one hand, it is possible to find studies that point to reduced levels of well-being in this period of life, on the other hand, we find evidence that points to gains in well-being (Lachman, et al., 2008; Ryff, 2017; Lachman, 2015; Stone et al., 2010; Ulloa et al., 2013). At the same time, the quality of attachment has been shown to be relevant to well-being in earlier periods of life, with secure attachment being associated with greater well-being while insecure attachment with lower well-being (e.g. Karreman et al., 2012; Quevedo et al., 2019; Davis et al., 2016). In view of the above, this study aims to: (1) assess levels of well-being and attachment style in middle-aged adults in double and triple caregiving; and (2) analyze the relationship between attachment style and well-being in middle-aged adults in double or triple caregiving. Method. In this cross-sectional and correlational study, 222 adults aged between 40 and 60 in a condition of double or triple caregiving took part. The inclusion criteria were: (1) age between 40 and 60; (2) providing informal care for descendants (children) and/or ascendants (parents or other elderly relatives); (3) working in the formal care sector (health or social care). Data was collected using the Sociodemographic Questionnaire; the Psychological Well-Being Scale (EBEP, Ryff, 1989; Portuguese version by Novo, Duarte-Silva & Peralta, 1997); and the Categorical Measure of Attachment Style (Hazan & Shaver, 1990; Portuguese version by Fonseca & Soares, 2005). The data collection protocol was made available (between May and October 2023) in digital format and disseminated in various life contexts of middle-aged adults. Results. The participants were on average 46,59 years old (sd=5,56), mostly female (88,30%), married (74,30%), with higher education (73%), working in private social solidarity institutions (48%) for 17,77 years (sd=8,76). Most of the participants were securely attached (78,40%) and no statistically significant differences were found in terms of attachment style between the double and triple caregivers. As far as psychological well-being is concerned, the participants in triple caregiving had higher average values for total psychological well-being (M=84,37; dp=13,25) and for the dimensions of psychological well-being compared to the participants in double caregiving, although no statistically significant differences were found. Finally, about the relationship between attachment and psychological well-being, there were statistically significant differences in total psychological well-being (U=2617,50; p= <0,001), and in all its dimensions except for Autonomy (U=3734; p=0,259). Overall, participants with secure attachment showed statistically higher values in total psychological well-being and in all its dimensions compared to participants with insecure attachment. Conclusion. This is a pioneering study of a recently identified group of middle-aged adults in double and triple caregiving, who play a key role in providing formal and informal care and about whom very little is known. The results obtained show the relevance of the relationship between the two variables under study, psychological well-being and attachment. It seems essential to continue this study to deepen and strengthen research in the field and thus contribute to gerontological knowledge to support interventions that promote the development and successful ageing of middle-aged adults. |
| Descrição: | Dissertação de Mestrado em Gerontologia Social apresentada na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo |
| URI: | http://hdl.handle.net/20.500.11960/4276 |
| Aparece nas colecções: | ESE - Dissertações de mestrado |
Ficheiros deste registo:
| Ficheiro | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| Luisa_Esteves.pdf | 789 kB | Adobe PDF | Ver/Abrir |
Todos os registos no repositório estão protegidos por leis de copyright, com todos os direitos reservados.

