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http://hdl.handle.net/20.500.11960/4432| Título: | (Des)emprego e discriminação das pessoas mais velhas no mercado de trabalho |
| Autores: | Gonçalves, Raquel Sofia Arieira Silva, Paola Alejandra Camino da |
| Palavras-chave: | Gerontologia Social Envelhecimento Idadismo Desemprego Mercado de trabalho Qualidade de vida Bem-estar Social Gerontology Ageing Ageism Unemployment Labor market Quality of life Well-being |
| Data: | 21-Fev-2025 |
| Resumo: | Contexto: Dados recentes evidenciam que a população portuguesa com 65 ou mais anos representa mais de 24% da população total (Pordata, 2023), o que caracteriza o país como uma “super aged society”. Este envelhecimento populacional reflete-se também no envelhecimento da mão-de-obra, o que tem implicações nas situações de emprego e desemprego (sendo este último cada vez mais frequente nos percursos profissionais dos indivíduos). Neste contexto, a década do envelhecimento saudável aborda, entre outros aspetos, a questão do idadismo como uma das questões-chave a serem enfrentadas durante o período de 2021 a 2030, reconhecendo-o como um desafio a ser superado no sentido de se promover um envelhecimento saudável e uma cultura mais inclusiva (Organização Pan-Americana da Saúde, 2022). Assim, as políticas sociais de emprego, enquanto políticas públicas, são fundamentais no combate ao idadismo e na promoção de contextos de trabalho que valorizem os contributos de todas as gerações (Taylor, 2002) e, consequentemente, promovam o bem-estar e qualidade de vida das populações. E porque as vidas humanas são interdependentes e vividas em contexto, consideramos que a Perspetiva do curso de vida (Elder, 1974) pode assumir-se como uma lente enquadradora para compreender de que modo é experienciada a perda de emprego numa fase tardia da vida ativa, sobretudo sabendo que este evento é vivido de forma diferente por cada indivíduo e tem impacto no seu processo de envelhecimento (Elder & Shanhan, 2007).
Objetivo do estudo: Face ao exposto, o presente estudo visa compreender a perceção das pessoas com 50 + anos em situação de desemprego relativamente às causas da não contratação no mercado de trabalho, bem como os efeitos da discriminação por idade no mercado de trabalho no seu bem-estar e qualidade de vida.
Método: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa que incluiu 17 pessoas com 50+ anos da zona norte de Portugal Continental, particularmente a residir nas regiões de Braga, Porto e Viana do Castelo. Recorreu-se a um processo de amostragem do tipo “bola de neve”, sendo que para a recolha de dados foi utilizada como técnica a entrevista semiestruturada, cujo guião foi construído especificamente para este estudo. As entrevistas foram gravadas em formato áudio com autorização prévia e, posteriormente, transcritas verbatim. Em termos de estratégias de análise de dados, foi utilizada a técnica de análise de conteúdo de acordo com a proposta de Creswell (2013)
Resultados: O estudo envolveu 17 pessoas com 50 + anos em situação de desemprego, com uma idade média de 55 anos (dp=3,74; MIN=50 anos; MÁX=62 anos). Relativamente ao género, 47% dos participantes eram do sexo feminino e 53% do sexo masculino. Maioritariamente casados ou em união de facto (65%), possuíam também formação superior (41% o grau de licenciado e 12% o grau de mestre). Quanto à duração da situação de desemprego, a maioria dos participantes (35%) estava desempregada há 1 ou 2 anos. A análise de conteúdo permitiu identificar cinco domínios: (1) percurso profissional, (2) a experiência de desemprego, (3) discriminação por idade no mercado de trabalho, (4) estratégias para combater o idadismo, (5) bem-estar e qualidade de vida. Globalmente, os resultados evidenciam que o desemprego está associado a sentimentos de exclusão, perda de identidade e impactos negativos na saúde mental, ainda que os participantes classifiquem a sua qualidade de vida como razoável. Além disso, a discriminação por idade é tida como uma barreira significativa para o reingresso no mercado de trabalho no caso de pessoas com 50+ anos, sendo identificadas situações de discriminação por idade tanto nos processos de recrutamento e seleção como nos contextos de trabalho.
Conclusões/implicações: O presente estudo ajuda a compreender de que forma a discriminação por idade afeta o bem-estar e a qualidade de vida de indivíduos com mais de 50 anos, especialmente no contexto do desemprego. Ao fazê-lo, contribuiu para uma maior compreensão dos obstáculos que os trabalhadores mais velhos enfrentam no mercado de trabalho e tal é crucial para a gerontologia social. Assim, do ponto de vista das recomendações para as políticas públicas e medidas locais, a investigação reforça a necessidade de modelos de proteção ajustados, que inovem nas suas formas de atuação e que garantam que a intervenção do Estado não contribui para manter nem agravar as desigualdades sociais dos indivíduos. Pelo contrário, as políticas sociais de emprego devem procurar criar condições de equidade para todos os indivíduos promovendo o seu bem-estar ao longo do percurso de vida. Abstract Background: Recent data shows that the Portuguese population aged 65 and over represents more than 24% of the total population (Pordata, 2023), which characterizes the country as a “super aged society”. This population ageing is also reflected in the ageing of the workforce, which has implications for employment and unemployment (the latter being increasingly frequent in people's career paths). In this context, the decade of healthy ageing addresses, among other aspects, the issue of ageism as one of the key issues to be tackled during the period from 2021 to 2030, recognizing it as a challenge to be overcome to promote healthy ageing and a more inclusive culture (Pan American Health Organization, 2022). As such, social employment policies, as public policies, are fundamental in the fight against ageism and in promoting work contexts that value the contributions of all generations (Taylor, 2002) and, consequently, promote the well-being and quality of life of populations. And because human lives are interdependent and lived in context, we believe that the Life Course Perspective (Elder, 1974) can be used as a framework to understand how job loss is experienced late in working life, especially knowing that this event is experienced differently by each individual and has an impact on their ageing process (Elder & Shanhan, 2007). Aim of the study: In view of the above, this study aims to understand the perception of people aged 50+ who are unemployed regarding the causes of not being hired in the labor market, as well as the effects of age discrimination in the labor market on their well-being and quality of life. Method: This is a qualitative study which included 17 people aged 50+ from the north of mainland Portugal, particularly those living in the regions of Braga, Porto and Viana do Castelo. A “snowball” sampling process was used to collect the data, and a semi-structured interview was used as the technique, the script for which was constructed specifically for this study. The interviews were audio-recorded with prior authorization and then transcribed verbatim. In terms of data analysis strategies, the content analysis technique was used in accordance with Creswell's (2013) proposal Results: The study involved 17 people aged 50 + who were unemployed, with an average age of 55 (dp=3.74; MIN=50 years; MAX=62 years). In terms of gender, 47% of the participants were female and 53% male. They were mostly married or in a de facto union (65%) and had higher education (41% had a bachelor's degree and 12% a master's degree). As for the duration of their unemployment, most participants (35%) were unemployed for 1 or 2 years. The content analysis identified five domains: (1) career path, (2) the experience of unemployment, (3) age discrimination in the job market, (4) strategies to combat ageism, (5) well-being and quality of life. Overall, the results show that unemployment is associated with feelings of exclusion, loss of identity and negative impacts on mental health, even though the participants rate their quality of life as reasonable. In addition, age discrimination is seen as a significant barrier to re-entering the job market in the case of people aged 50+, with situations of age discrimination being identified both in recruitment and selection processes and in work contexts. Conclusions/implications: This study helps to understand how age discrimination affects the well-being and quality of life of individuals over 50, especially in the context of unemployment. In doing so, it has contributed to a greater understanding of the obstacles that older workers face in the labor market, and this is crucial for social gerontology. Thus, from the point of view of recommendations for public policies and local measures, the research reinforces the need for adjusted protection models, which innovate in their forms of action and ensure that state intervention does not contribute to maintaining or aggravating individuals' social inequalities. On the contrary, social employment policies should seek to create a level playing field for all individuals, promoting their well-being throughout their lives. |
| Descrição: | Dissertação de Mestrado em Gerontologia Social apresentada na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo |
| URI: | http://hdl.handle.net/20.500.11960/4432 |
| Aparece nas colecções: | ESE - Dissertações de mestrado |
Ficheiros deste registo:
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