Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/20.500.11960/4561
Título: Satisfação conjugal: um desafio à enfermagem de saúde familiar
Autores: Morais, Maria Carminda Soares
Dias, Florbela Correia
Palavras-chave: Família
Casal
Satisfação conjugal
Consulta do planeamento familiar
Enfermeiras especialistas em saúde da família
Family
Couple
Marital satisfaction
Family planning consultation
Specialist nurses in family health
Data: 3-Jul-2025
Resumo: Enquadramento: Satisfazer as necessidades de cuidados de saúde da família é um objetivo central da Enfermagem de Saúde Familiar (ESF), especialmente no trabalho com casais nas consultas de saúde sexual e reprodutiva. Esta problemática surgiu como prioritária em sede de reunião com a equipa de enfermagem da Unidade de Saúde Familiar, por assumir uma relevância indelével no âmbito da prática colaborativa de ESF e ainda face ao seu baixo índice na unidade. Objetivos: Apresentar a síntese e reflexão no âmbito das competências previstas comuns e específicas para o enfermeiro especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar (ECAESF) Avaliar a satisfação conjugal dos casais, cujas mulheres inscritas na Consulta de Planeamento Familiar numa USF do Norte do país; identificar determinantes sociodemográficas da satisfação conjugal dos casais. Pretende-se ainda dar resposta a uma exigência para a atribuição do Grau de Mestre em Enfermagem Comunitária (EC) na área de ESF, com vista a atribuição posterior do Titulo Profissional de Enfermeira Especialista na área de ECAESF, pela Ordem dos Enfermeiros (OE). Método: Estudo quantitativo, observacional, descritivo-correlacional, transversal. Utilizou-se um questionário sociodemográfico (ad hoc), a Escala de Satisfação Conjugal de Enrich, adaptada e validada para Portugal por Nunes et al. (2022ª,b). Resultados: Amostra constituída por 122 participantes, maioritariamente mulheres (96,7%), com média de idade de 43,43±6,71 anos; todos casados/união de facto, com uma média de coabitação 16,00±6,67 anos; 85,2% têm filhos; 45,9% possuem o ensino secundário. Maioritariamente classificaram o seu estado de saúde global e de saúde mental como “Bom” (66,4% vs. 51,6%). Os níveis médios de satisfação conjugal foram de 42,26 ±1,72 para a dimensão satisfação marital e 18,39±1,38 para a distorção idealizada, com um percentil global de 39,15 ±1,64. A idade e as habilitações literárias mostraram diferenças significativas na distorção idealizada (p<0,05). Durante a prática clínica tive oportunidade de desenvolver competências comuns e específicas do EEESCAESF Conclusões: O estudo demonstrou que a maioria dos utentes da Consulta de Planeamento Familiar era do sexo feminino, o que reflete uma maior adesão das mulheres a este tipo de acompanhamento em saúde. Predomínio de participantes com mais de 45 anos, em grande parte casados ou em união de facto, e com relações marcadas por uma coabitação prolongada. Entre as mulheres com 45 anos ou menos, destacaram-se níveis elevados de satisfação conjugal, ainda que associados a um grau mais acentuado de distorção implícita. Além disso, foi possível identificar que variáveis como a idade, a escolaridade e a perceção de saúde apresentam uma influência estasticamente significativa a satisfação conjugal, o que reforça a complexidade dos fatores que moldam as dinâmicas relacionais no seio da família. Face a estes resultados, torna-se pertinente a implementação de uma avaliação sistemática da satisfação conjugal, utilizando um instrumento validado no contexto português. Esta prática poderá reforçar a consolidação de intervenções baseadas na evidência, contribuindo para a melhoria da qualidade das relações conjugais entre os casais acompanhados na USF.
Background: Meeting the healthcare needs of the family is a central goal of Family Health Nursing (FHN), particularly in work with couples attending sexual and reproductive health consultations. This issue emerged as a priority during a team meeting with the nursing staff of a Family Health Unit, due to its significant relevance within the collaborative practice of FHN and its low engagement rate within the unit. Objectives: To present a synthesis and reflection within the scope of the general and specific competencies expected of the Specialist Nurse in Community Nursing in the area of Family Health Nursing (FHN-SCN). To assess marital satisfaction among couples whose female partners are enrolled in the Family Planning Consultation of a Family Health Unit in northern Portugal; and to identify sociodemographic determinants of marital satisfaction. Additionally, this work aims to fulfil a requirement for the awarding of the Master’s Degree in Community Nursing (CN) in the area of FHN, as a prerequisite for the subsequent attribution of the Professional Title of Specialist Nurse in the area of FHN-SCN, by the Portuguese Nursing Order (OE). Method: Quantitative, observational, descriptive-correlational, cross-sectional study. A sociodemographic questionnaire (ad hoc) and the ENRICH Marital Satisfaction Scale, adapted and validated for the Portuguese context by Nunes et al. (2022a, b), were used. Results: The sample consisted of 122 participants, mostly women (96.7%), with an average age of 43.43±6.71 years; all were married or in de facto unions, with an average cohabitation period of 16.00±6.67 years; 85.2% had children; 45.9% had completed secondary education. Most participants rated their overall and mental health status as "Good" (66.4% vs. 51.6%). The average levels of marital satisfaction were 42.26 ± 1.72 for the marital satisfaction dimension and 18.39±1.38 for idealized distortion, with an overall percentile of 39.15±1.64. Age and educational attainment showed significant differences in idealized distortion (p<0.05). During clinical practice, I had the opportunity to develop both the general and specific competencies of a Specialist Nurse in Family and Community Health Nursing (FHN-SCN). Conclusions: The study showed that most users of the Family Planning Consultation were women, reflecting a greater adherence by women to this type of health care. The sample was predominantly over 45 years old, mostly married or in de facto unions, with long-term cohabitation. Among women aged 45 or younger, higher levels of marital satisfaction were observed, albeit associated with a more pronounced degree of implicit distortion. Moreover, variables such as age, educational level, and perceived health showed a statistically significant influence on marital satisfaction, reinforcing the complexity of factors that shape relational dynamics within the family. These findings underscore the need for the systematic assessment of marital satisfaction using a validated instrument in the Portuguese context. This practice could reinforce the implementation of evidence-based interventions, contributing to the improvement of relationship quality among couples followed in the Family Health Unit.
Descrição: Relatório de Estágio de Natureza Profissional no âmbito do Mestrado Enfermagem Comunitária, na área de Enfermagem de Saúde Familiar apresentada na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (Consórcio IPB, IPVC e UTAD)
URI: http://hdl.handle.net/20.500.11960/4561
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